quarta-feira, 27 de outubro de 2010

FHC

Independente do resultado das eleições desse ano, o Brasil sairá ganhando, mesmo que os candidatos não efetuem suas promessas. Graças à estabilidade do país, e os avanços que o Brasil conseguiu nessas últimas décadas. Claro que haverá declínios, caídas e percauços, mas nosso país já tem boas bases para o progresso sucessivo, graças às políticas adotadas.
Infelizmente nessa história de estabilização do país, muitos foram renegados como responsáveis pelo desenvolvimento dessa estabilização. Fernando Henrique Cardoso foi presidente do Brasil na década de 90, criou o Plano Real, acertou a politica econômica e criou os alicerces fortes de relações diplomáticas e econômico-sociais com outros países. No entanto, não é visto como um dos pilares da mudança do país, mas como atraso por todos os partidos políticos e pelo próprio povo. Criou-se uma imagem deteriorada de sua gestão, por causa de crises, privatizações, falta de investimentos. Mas a História está aí pra analisarmos e deduzirmos se isso é mesmo verdade.
No início dos anos 90 o Brasil enfrentava uma inflação galopante conquistada desde o início do século, e que foi passando governo, saindo governo, só piorando. Collor abriu novamente o mercado brasileiro às importações, deu início às melhorias econômicas futuras. Infelizmente por outros atos acabou saindo do governo. Itamar Franco, que sucedeu-lhe, implantou novos rumos no país, iniciando o período de reajuste da economia e do social. Também é outro que muito pouco é lembrado nesse país. FHC entra no governo em 95, cria o Plano Real, moeda forte que compatibiliza com o dólar americano e fornece condições à população de "fazer a feira" por exemplo, com apenas uma nota de Real. Realiza condições sociais de desenvolvimento, como o Bolsa escola e o Bolsa saúde, posteriormente no outro governo se tornando o Bolsa Família.
Segundo alguns especialistas, privatização é o processo de venda de uma instituição do Patrimônio Público para o setor privado, ou seja, desestatização da empresa pública sem que o Estado deixe de ter uma parcela de controle e reponsabilidade. Ora o fortalecimento das intituições públicas do país se deu com Getúlio Vargas e o que podemos nos orgulhar? Faltam recursos, faltam funcionários qualificados, falta serviço, falta salário digno, falta política pública de gerenciamento de milhares de orgãos e cargos públicos que nascem e oneram o Estado. Por que o contribuinte deve pagar impostos para sustentar algo falido, que não propicia melhorias e nem desenvolve o país? Privatização é desonerar o Estado daquilo que não dá certo, que o Governo Federal não dá conta mais de sustentar por motivos óbvios. O Estado não pode ser mais visto como poder, autoritarismo, como pai social do país. Quanto mais o Estado participa da vida pública, menos condições tem de se sustentar e pagar os dividendos que contrai. Quanto menos o Estado participa, mais a população sofre sem investimentos, sem ajuda, sem força até de ordem moral. Qual a solução? Privatizar o que não está dando certo, mas não entregar totalmente ao capital privado, ter controle e poder de fiscalização sobre as empresas que venceram o leilão. A Vale rendeu muito mais depois da privatização, assim como o setor de telefonia pública. Muitos bancos estatais estão sucateados, merecendo uma revisão de suas políticas. Infelizmente quem defende o Estado como pai é aquele que quer usá-lo para o populismo e nepotismo.
Outro problema atrubuído a FHC é a questão do arrocho. No entanto não observam que o país estava quebrado, sem políticas econômicas consistentes, sem um plano diretor nesse sentido. Anos de atraso na ditadura militar tiveram essa consequência. Ou seja, Fernando Henrique tinha de fazer igual um pai de família com contas atrasadas e sem dinheiro em caixa: economizar, suprir gastos, gerar receita líquida, investir externamente pra render lucros internamente. Infelizmente o percauço da crise de 98 abalou esse projeto, subindo o câmbio do Real e levando o país a estagnar no seu progresso. Considero ainda que nunca usou de manobras políticas para eleger correligionários de partidos, não calou a imprensa diante de escândalos do Congresso, não usou de demagogia para ganhar votos. Era um presidente com inteligência suficiente para elevar à categoria de nação propriamente dita este Brasil.
Hoje temos uma espécie de referendo nas eleições: ou o Brasil avança com o populismo, corrupção e nepotismo do governo atual, ou retrocede com a construção de base pra sustentação e estabilização e com projeto de avanço sócio-econômico do país. Pois se hoje alguém se vangloria da pseudo-nação que ainda temos é graças a alguns políticos como Fernando Henrique Cardoso que estão demarcados no ocaso por uma política e uma mídia atuante na ignorância da população sem capacidade de raciocínio. Se hoje podemos gastar muito no exterior, comprar parcelado muitos produtos, orgulhar da pobreza que virou classe média, temos também de refletir se isso foi por obra do destino, ou se alguém com a  capacidade de FHC tirou o país do ostracismo para elevá-lo a uma categoria superior.

3 comentários:

  1. Marc, muito legal o teu blog!
    Teus textos são bem elaborados e com boas argumentações!

    Irei acompanhar suas publicações!

    Grande abraço,
    Isabela Pimentl

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  2. VALEU PELA FORÇA ISABELA. OBRIGADO.

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  3. Caro marc, tenho convicções políticas diferente das suas, entretanto, quero parabenizá-lo pela forma que seu texto foi produzido e pela maneira como foram apresentados seus argumentos. Parabéns pelo post e pelo blog.

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