quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Os mineiros do Chile e do mundo

Hoje encerra-se mais um episódio histórico e trágico da humanidade: o resgate dos mineiros do Chile. Graças à tecnologia empregada nesse resgate, em pouco tempo os 33 mineiros que estavam presos há quase 700 metros de profundidade puderam ser içados através de uma cápsula arduamente testada. Aliás essa tecnologia só foi possível graças à intervenção americana, visto que muitos projetos modernos do Chile hoje são impulsionados graças à extensa colaboração dos EUA nessa área.
Mas infelizmente essa aparente tecnologia de resgate esconde a situação precária que envolve esses mineiros chilenos e tantos outros. A extração de cobre no Chile ainda é um dos propulsores econômicos do país e o atraso nesse tipo de trabalho remonta ao sèculo passado, quiçá ao retrasado. As condições ainda difíceis que vivem embaixo da terra sem as altas condições de segurança são alvo de grandes denúncias por parte de associações pró trabalhadores. A declaração dos direitos do homem e do cidadão datam da Revolução Francesa, mas parece que não só no Chile, mas em várias minas ao redor do mundo isso não é muito respeitado.
O Chile é um dos países mais adiantados da América do Sul em educação, cultura e mesmo teconologia. A China também tem minas e é um país avançado em tecnologia atualmente. Pergunta-se por que existe tanta capacidade de criação de armas de destruição em massa e não há sequer uma nova idéia ou projeto de escavação e perfuração em minas que não se utilize o trabalho humano? Porque por mais que haja toda segurança, se é que existe segurança pra um serviço desses, sempre haverá possibilidade de ocorrer alguma falha, visto que estão em uma profundidade grande, sem luz, sem saída aparente, com pouco ar e resistência sempre menor às adversidades.
O salário também é muito baixo, e o psicológico de um mineiro e sua saúde sempre são prejudicados ao longo do tempo. Não existe possibilidade de avanço em educação, visto que passam mais tempo debaixo do solo que em banco de sala de aula. Não denuncio aqui somente as condições do mineiros chilenos, mas dos bolivianos, dos chineses, dos mexicanos. Existe muitas possibilidades de tecnologias mais avançadas para esse quesito e que infelizmente não está na pauta dos governantes.
Esses mineiros terão sorte, pois com a fama outorgada pela mídia onipresente nas tragédias mundiais, receberão toda ajuda necessária, financeiramente e psicologicamente. Resta saber quanto outros mineiros no mundo terão esta sorte. Muitos morrem antes em falhas mecânicas de extração. Mas poucos sobrevivem para dizer: estou vivo.

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