terça-feira, 28 de setembro de 2010

votar nulo. eis a questão

Participo como mesário de eleições há 8 anos e nas reuniões que acontecem para esclarecimento dos trabalhos no dia da eleição não há em nenhum momento um debate sobre a possibilidade do voto nulo. O mesmo acontece na TV. A Justiça Eleitoral se limita a impor aos eleitores a propaganda negativa do voto em branco e nulo, afirmando que com isso seu voto será um desperdício para o futuro da nação. As propagandas terminam sempre assim: ESCOLHA SEUS CANDIDATOS, VOTE, NÃO DEIXE DE VOTAR, O FUTURO DA NAÇÃO DEPENDE DE VOCÊ OU DO SEU VOTO. Interessante notar esse tom ufanista e ao mesmo tempo ditatorial da Justiça Eleitoral que ao mesmo tempo deveria salvaguardar o direito a liberdade de escolha e democracia presente nas eleições, pelo menos teoricamente.
O voto em branco e voto nulo, hoje, com as novas tecnologias de eleição na urna eletrônica, representam a mesma coisa do ponto de vista da contagem de votos, ou seja, não serão validados para efeito de contagem total. Pois valerá apenas pra mostrar que você não escolheu um daqueles candidatos expostos ao pleito, será apenas como dizem "estatística". Mas em um país dito democrático e com liberdade de expressão há de se observar o menosprezo à importância de se falar e explicar sobre o voto em branco ou nulo.
Creio que apesar de serem votos inválidos para contagem, não podemos forçar um cidadão a escolher e votar em um candidato, não obstante que o nosso país ainda vive o atraso político e moral do voto obrigatório. Pois o voto em branco ou nulo, hoje, representa a indignação do povo perante aqueles que se dizem futuros representantes do país. Realmente isso exprime uma forma de protesto aos partidos e aos políticos, que mesmo sem o menor caráter para nos representar no poder ainda se lançam como candidatos. Todavia, o voto branco e nulo não mudam uma eleição, mas conferem um tom de incredulidade ao pleito, o que significa e possibilita a mudança de atitude política dos candidatos. Por que será que a Justiça Eleitoral ainda esconde a verdade dos eleitores ao impor o voto dito "consciente" para o "futuro da nação"? Será que essa mesma dita "Justiça Eleitoral" não é composta de pessoas indicadas pelos mesmo políticos que não querem o povo livre pra escolher o verdadeiro caminho para o país?
Voto consciente só existe quando podemos analisar todas as possibilidades de voto, inclusive quando não há nenhum candidato plausível para o eleitor escolher. Mereçamos um melhor respeito daqueles que se intitulam defensores da democracia e do livre arbítrio nas eleições.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Desenvolvimento X Educação

A notícia diz: "Brasileiros gastam mais no exterior". Para qualquer desavisado e ignorante politico-econômico, isso pode ser compreendido do ponto de vista do crescimento do poder aquisitivo do brasileiro, do crescimento econômico do país. Mas o que não se sabe é a série de implicações e razões para isso ocorrer.
Primeiramente isso leva a uma déficit nas transações do Brasil com o exterior, ou seja, levamos prejuízo. Mas principalmente entra mais dólares no país, o que faz o Banco Central intervir para a cotação não atingir níveis alarmantes pro setor de exportação. Mas deixando os termos técnicos e econômicos de lado, veremos que o povo não está tendo o poder aquisitivo que o Governo Federal diz ou que a mídia transforma em holofotes gigantescos. Por que o brasileiro vai lá fora para gastar?
Ora é uma questão simples e complexa de responder ao mesmo tempo. Simples porque está mais barato viajar ao exterior do que dentro do Brasil, já que aqui uma passagem aérea para um destino turístico badalado custa 2 vezes mais que ir para Buenos Aires. Além da falta de infra-estrutura hoteleira e turística, no geral, que cada cidade possui. Ademais, o tão falado "poder aquisitivo" se resume a uma palavra: financiamento. Ora é assim com os automóveis: não aumentaram os salários, nem se abaixou tanto os preços (salvo em alguns casos); o que ocorreu foi um aumento no tempo de pagamento, ou seja, o brasileiro não tem mais medo de ter dívidas super longas e cheias de juros. Vide o otimismo populista que o nosso presidente passa ao povo.
E difícil de responder o porquê no imaginário colonialista brasileiro de Portugal ainda ser a metrópole e a descoberta além-mar apenas mais uma escravista e sem futuro como muitas outras da América colonial. Uma pesquisa analisada ontem no Jornal da Globo, mostra os brasileiros ainda se referindo aos EUA como país padrão de qualidade, desenvolvimento e educação. Construção ideológica capitalista do século XX, já diriam os comunistas de plantão. Mas bem se sabe que há países europeus com melhores taxas de qualidade de vida que dos ianques. No entanto Miami é ótimo para gastar os dólares e cresce também o perfil consumista tupiniquim em alguns países do velho continente.  Para o brasileiro lá fora é que é bom; aqui apenas a mesma chatice de sempre: carnaval, corrupção, novela. Não necessariamente nessa ordem.
É verdade que o nosso querido e respeitado REAL está valendo muito no mercado e provavelmente uma das quatro moedas mais fortes do mundo. Mas o que falta pro desenvolvimento do país? Corte nos impostos dos produtos de consumo geral, redução gradativa e contínua dos juros básicos, investimento maciço do governo em infra-estrutura nas cidades e educação básica e transformadora do pensamento filosófico-cultural brasileiro.

Eleições 2010

Chegou o tempo. O tempo certo, a escolha certa, o candidato ideal. Estamos a poucos dias de eleger alguns dos nossos politicos que irão definir ou definhar o futuro do nosso país. As propostas devem ser analisadas, debatidas, estudadas e enfim balanceadas para saber qual mais se adapta ao crescimento e a organização do povo brasileiro.
No entanto qual candidato tem feito isso em suas explanações? Em curtos períodos de tempo em que aparecem na TV alguns prometem efeitos mirabolantes na política, fazem palhaçadas, atacam os adversários, negam os crimes políticos feitos há alguns mandatos. Poucos se aventuram a dizer propostas verdadeiras, que caibam em seu curto espaço de propaganda e são desprezados pelo público geral. Enfim os poucos "fichas-limpas" que tem propostas, algumas válidas, são esquecidos ou taxados de loucos, bobos.
Outro dia olhando a propaganda para Senador de São Paulo notei o candidato e cantor Moacyr Franco tentando dizer sua proposta. Aliás, olhando sua biografia, ele ja foi eleito deputado federal e não se gaba nenhum pouco dessa passagem da sua vida, como já dito pelo próprio em muitas entrevistas (como esta: http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=47312&search=). Mas o que se nota é que nessa eleição ele foi um dos poucos candidatos sinceros, um dos poucos que realmente condizeram com o perfil político do que deveria ser e ter um candidato: debater, conversar e ser escutado.
Infelizmente, mesmo sendo popular e reconhecido pelo público, foi cortado de seu tempo na TV por puras pretensões políticas partidárias. Provavelmente o partido não quer alguém que se candidata apenas para dizer propostas que não sejam eleitoreiras ou que diz que nem sabe se vai se eleger, que apenas quer ser ouvido sobre o futuro que nos espera.
Nossa política atual mostra apenas competição sórdida e sem benefício para o país: quem pode mais, quem engana mais, quem mostra mais dossiês, quem fala mal do adversário e quem consegue subir na tabela de classificação Ibope/Datafolha. É como um campeonato esportivo, mas sem nenhum fairplay.
Os poucos que querem usar uma filosofia politica de debate e que ainda se aventuram nessa selva política são massacrados, ignorados e execrados. Como confiar em uma nova geração política que não respeita a arte mais pura da política que é o debate, a filosofia?