domingo, 10 de outubro de 2010

A arte de mover no Rio

Não é de hoje que o serviço de transporte no Rio de Janeiro beira o caos. Na verdade está há muito tempo vivendo o caos. Neste domingo o Fantástico exibiu matéria sobre a máfia dos taxistas cariocas que detêm poder quase absoluto sobre vários pontos da cidade. O mais estarrecedor é a polícia que serviria para fiscalização e defesa dos direitos do usuário servindo como apoio à corrupção e prática de abusos por parte desse ditos motoristas.
Meu contato com o Rio é antigo e desde muito tempo observo que para conseguir se locomover naquela cidade é mais difícil que encontrar o Papa. Pois bem, as ruas históricas no centro e na zona sul, àreas mais turísticas, não servem mais ao tráfego intenso de veículos que hoje cresce assustadoramente em todo país. Pois o senhor prefeito Eduardo Paes quer então fechar a Avenida Rio Branco, a de maior tráfego de ônibus, táxis, carros, vans no centro antigo para ali se transformar em uma espécie de super Largo da Rio Branco. Aliás só há duas grandes avenidas no centro do Rio de Janeiro. A Presidente Vargas foi construída da demolição de patrimônio. Será que também vão destruí-la pra fazer, talvez, não sei, uma grande pista de skate?  Assim é tratado ao mesmo tempo Patrimônio Histórico e trânsito na cidade maravilhosa.
Os ônibus que datam dos anos setenta e que mais param do que andam, mereciam uma reforma completa ou troca de frota imediata. Não é difícil ver na zona sul, onde são melhores, muitos ônibus quebrando pelas ruas já congestionadas, piorando o trânsito. Isso quando não ocorre um acidente grave por excesso de velocidade destes motoristas mal preparados ou por falta de manutenção dos veículos.
O metrô do Rio é outro caso a parte. Atrasadíssimo há anos agora vai deixar o papel e ir para a prática. Pelo menos para a Copa de 2014, onde deve chegar até o princípio da Barra da Tijuca. Detalhe: os Jogos Olímpicos de 2016 ocorrerão no meio da Barra e os aeroportos não são servidos de metrô.
Os táxis cariocas são o pior sistema de transporte. Por quê? Bem, grande parte são velhos, péssima manutenção, motoristas mau educados (há honrosas exceções), mal preparados que dirigem como loucos, além de porcos, que quando em vias de fazer suas necessidades fisiológicas, arrumam qualquer beco para satisfazer sua ânsia. Isso dá ao Rio de Janeiro, em plena zona sul, aquele cheiro característico de sal e uréia no ar...
É difícil saber qual táxi é pirata e qual tem alvará. Muitos são iguais, amarelos, com placas vermelhas, mas não estão dentro da lei. Na Rodoviária Novo Rio é o pior caso ao meu ver, já que não há um espaço certo, orientado e amplo dedicado a isso. Quem não tem noção do que é malandragem, logo se vê enganado pelo anúncio fácil de corridas longas a preços módicos. O problema é que fiscalização não há, nem com denúncia, apenas fingem que passam por lá, olham e vão embora. Essa mesma polícia do Rio que agora está em cartaz de novo, não para louvá-la mas para massacrá-la perante o público de Tropa de Elite 2.
Essa cidade irá receber dois eventos importantes até 2016. Como serão transportados os visitantes? Talvez, como o bom humor brasileiro sempre está presente,  haverá uma novidade no transporte do Rio. Ou nem tanto. Convoquemos as charretes da Ilha de Paquetá. Devagar e sempre, barato, mas com grande charme, história e o mais difícil: honestidade.

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