domingo, 28 de junho de 2009

A Copa de 2014

Há pouco tempo vimos várias cidades do Brasil se mobilizarem pela possibilidade de serem subsedes da Copa de 2014. Houve pré-candidatas que posteriormente desistiram por alguns fatores, como Campinas e Teresina, houve envio da candidatura e propaganda massiva para escolha da cidade como potencial subsede.
Governantes assinalaram as benfeitorias e ganhos que seus municípios teriam com a chegada do evento, como crescimento, embelezamento de vários locais, turismo, imagem no exterior, etc... Mas também devemos perceber e analisar os problemas que um evento como esse traz para uma cidade. Aumento da violência, pois a Copa traz turistas extrangeiros e mesmo nacionais, muitas vezes com muito dinheiro. Assalto, sequestros, latrocínios são exemplos do que pode ocorrer. Também vem pessoas dos mais variados níveis sociais, o que aumenta a possibilidade da mendicância na cidade. Problemas com o tráfego, pois com um evento desse porte as vias, mesmo expressas, recebem um aumento considerável de táxis, carros e ônibus. Superlotação de hospitais e possibilidade de uma endemia ou epidemia, por exemplo de dengue, comum à vários estados do Brasil. Alteração na rotina das pessoas, barulho excessivo. Até que ponto haverá benefícios do poder público, se é que haverá (vide corrupção, desvio de verbas públicas, má administração do dinheiro, etc..), e até que ponto a saúde e o bem estar da população merece consideração? Veremos em 2014.
Mas dentre os episódios dessas candidaturas de possíveis subsedes vimos várias rixas particulares entre cidades próximas, muitas vezes até históricas, como Manaus e Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, Brasília e Goiânia, Campo Grande e Cuiabá. As cidades da Amazônia brigam entre si para saber qual merece o título de cidade verde ou capital do sistema ecológico amazônico, cidades históricas, com muitas deficiências e muitos atrativos, mas muito parecidas entre si. Rio Branco se candidatou, mas por ser capital de pequeno porte e ainda sem muita expressão em um cenário nacional mais voltado pro leste, não levou. Rio e São Paulo brigam pra saber quem é a maior e "melhor cidade do país", mas a capital carioca já ganhou a final da Copa, resta saber se a paulista leva a abertura diante da rival Belo Horizonte. Brasília e Goiânia brigam por sua proximidade, por serem capitais no centro no país e terem um alto desenvolvimento parecido. As duas são planejadas, cresceram como uma explosão demográfica e econômica e são muito modernas em alguns sentidos.
Campo Grande e Cuiabá é um capítulo a parte. Não porque desempenharam a melhor briga, mas porque eu conheço as duas bem e vivi de perto essa rixa. Começemos pela História de Mato Grosso, onde Cuiabá, a antiga capital era detentora do poder e muitas cidades do Estado não compactuavam ou não aceitavam os desmandos que vinham de cima, principalmente aqui no sul. Houveram algumas tentativas separatistas por parte dos sulistas, mas sem sucesso, talvez pelo poderio dos coronéis e governantes cuiabanos. Em 1977, já com dificuldades de administração em um Mato Grosso tão imenso e em franco desenvolvimento na parte sul, a separação veio, através de Ernesto Geisel. Mas o que houve então de lá para cá?
Percebemos que as cidades que "estavam" em franco desenvolvimento, não mais conseguiram crescer, estaganaram, pararam no tempo. O Estado de Mato Grosso do Sul nasceu com muitos investimentos e sonhos mas morreu, apenas restando a capital, Campo Grande, com um nível de progresso linear. Esta cidade se desenvolve desde o Mato Grosso uno como entreposto, como um centro na rota, na passagem para a parte leste-oeste e norte-sul do Estado. Posteriormente, com o título de capital e com o declínio acentuado de várias cidades (salvo algum período curto até mesmo hoje em dia em que uma ou outra se destacam e crescem mediocremente a mais que as outras mas logo decaem novamente) começa a evoluir e crescer muito rápido, também devido ao fator explosão demográfica, pois várias pessoas se mudam para Campo Grande, pois esta possui melhor recurso na época em quase tudo na região.
Muito diferente de Mato Grosso, onde políticos novos e jovens, ainda sem a experiência da profissão, fazem esse Estado até então considerado atrasado sobrepujar sobre o país e mostrar uma economia e desenvolvimento crescentes. São vários exemplos de cidades consideradas fim de linha, no norte de Mato Grosso que nascem e em muito poucos anos crescem vertiginosamente, como Sinop, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Rondonópolis, Nova Mutum, Alta Floresta, etc... Cuiabá se beneficia também disso, mas não com o crescimento econômico das cidades (como parasita), mas por si própria, seu crescimento interno, trabalhado por quem está querendo tirar a imagem de atrasado de uma região histórica de grande valor nacional.
Hoje ainda vemos crescimento nas duas capitais, no entanto Campo Grande veiculou na sua candidatura ter muito mais condições de sediar um evento por ter mais infra-estrutura e desenvolvimento que Cuiabá. Discussões a parte sobre a veracidade desta afirmação, Campo Grande poderia ser a subsede da Copa, mas baseava sua candidatura no Pantanal, muito longe para se chegar e sem a menor infraestrutura, tirada justamente durante os anos em que a capital crescia e as outras cidades colapsavam em si mesmas. Afirmo este fato por ser pantaneiro e conhecer bem a realidade de infra-estrutura da região. Como trazer turismo para um Estado inteiro sem o menor desenvolvimento para suportar visitantes? Cuiabá pode ser menor que Campo Grande ( alguns analistas apontam ser Cuiabá a próxima metrópole do Centro-Oeste depois de Goiânia e Brasília) mas tem condições de levar o turismo a outras cidades também desenvolvidas e possui atrativos muito mais próximos e fáceis de se chegar para o visitante.
No geral acho que essas escolhas beneficiaram mais a parte leste do país do que o interior, pois vemos que cidades de uma região foram escolhidas e outras também com potencial não, mas isso chama-se politicagem e preconceito. Não sabemos quem ganhará a Copa de 2014, mas com certeza não será o povo, muito menos o país.

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