quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Desenvolvimento X Educação

A notícia diz: "Brasileiros gastam mais no exterior". Para qualquer desavisado e ignorante politico-econômico, isso pode ser compreendido do ponto de vista do crescimento do poder aquisitivo do brasileiro, do crescimento econômico do país. Mas o que não se sabe é a série de implicações e razões para isso ocorrer.
Primeiramente isso leva a uma déficit nas transações do Brasil com o exterior, ou seja, levamos prejuízo. Mas principalmente entra mais dólares no país, o que faz o Banco Central intervir para a cotação não atingir níveis alarmantes pro setor de exportação. Mas deixando os termos técnicos e econômicos de lado, veremos que o povo não está tendo o poder aquisitivo que o Governo Federal diz ou que a mídia transforma em holofotes gigantescos. Por que o brasileiro vai lá fora para gastar?
Ora é uma questão simples e complexa de responder ao mesmo tempo. Simples porque está mais barato viajar ao exterior do que dentro do Brasil, já que aqui uma passagem aérea para um destino turístico badalado custa 2 vezes mais que ir para Buenos Aires. Além da falta de infra-estrutura hoteleira e turística, no geral, que cada cidade possui. Ademais, o tão falado "poder aquisitivo" se resume a uma palavra: financiamento. Ora é assim com os automóveis: não aumentaram os salários, nem se abaixou tanto os preços (salvo em alguns casos); o que ocorreu foi um aumento no tempo de pagamento, ou seja, o brasileiro não tem mais medo de ter dívidas super longas e cheias de juros. Vide o otimismo populista que o nosso presidente passa ao povo.
E difícil de responder o porquê no imaginário colonialista brasileiro de Portugal ainda ser a metrópole e a descoberta além-mar apenas mais uma escravista e sem futuro como muitas outras da América colonial. Uma pesquisa analisada ontem no Jornal da Globo, mostra os brasileiros ainda se referindo aos EUA como país padrão de qualidade, desenvolvimento e educação. Construção ideológica capitalista do século XX, já diriam os comunistas de plantão. Mas bem se sabe que há países europeus com melhores taxas de qualidade de vida que dos ianques. No entanto Miami é ótimo para gastar os dólares e cresce também o perfil consumista tupiniquim em alguns países do velho continente.  Para o brasileiro lá fora é que é bom; aqui apenas a mesma chatice de sempre: carnaval, corrupção, novela. Não necessariamente nessa ordem.
É verdade que o nosso querido e respeitado REAL está valendo muito no mercado e provavelmente uma das quatro moedas mais fortes do mundo. Mas o que falta pro desenvolvimento do país? Corte nos impostos dos produtos de consumo geral, redução gradativa e contínua dos juros básicos, investimento maciço do governo em infra-estrutura nas cidades e educação básica e transformadora do pensamento filosófico-cultural brasileiro.

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