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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Falência da Cultura de um Povo

O esquecimento da nossa cultura é um dos fatores que mais desagradam aqueles que procuram de alguma forma pesquisar sobre o que de relevante nossa nação possui nas artes, na história, na sociedade política, na tecnologia. Isso ocorre quando cada vez mais a educação e o ensinamento de valores sociais e morais são passados desapercebidos nas escolas nacionais. Vê-se muito o hoje, o que será que podemos fazer pra brilharmos hoje. "Fique bonita e linda usando HAIRSPRAY hoje e seja uma estrela" "Brilhe seu amanhã" é o mais futurista que podemos alcançar.
É um drama ver aqueles que contribuíram para o crescimento da sociedade, a formação desta mesma em um todo de repente serem abandonados, esquecidos, apartados do cotidiano social. Outro dia estava lendo sobre o que aconteceu ao cantor Nelson Ned e fiquei surpreso com o que ocorre com a cultura na nossa sociedade. Foi muito famoso, ganhou muito dinheiro e se viciou nas drogas, logo buscando "salvação" mas igrejas evangélicas. Mas apesar disso hoje sofre problemas de saúde e não tem ajuda de igrejas das quais muito já cantou em seus cd's louvores a Cristo. Está esquecido até dos amigos e artistas, que se negam a contribuir para salvar um ícone da musica nacional.
Até aí pode ser piegas ficar dramático com o problema dos outros, não obstante que não se é piegas quando se diz que é cristão, mas a grande questão é: quando se lembra em algum programa ou rádio o nome desse cantor? Desse que foi o único na América Latina a lotar 4 vezes o Carnegie Hall e vender 100 milhões de discos nos EUA? Que é o artista brasileiro talvez mais reconhecido que Roberto Carlos na América Latina?
Entretanto, enquanto isso vemos artistas sem experiência nenhuma, sem sucesso nenhum, sem tino pra arte entrarem no hall da fama e grudarem como chiclete nas rádios todas manhã e tarde, infernizando nossos aparelhos radiofônicos automotivos e do lar. Na mesma linha de pensamento e no mesmo GOOGLE apareceu a triste história de Tinoco, da dupla Tonico e Tinoco. Está sozinho sem o companheiro, tendo de gastar com tratamento caro de saúde da mulher, recebendo do INSS a módica quantia de R$ 1000,00 por mês, e tendo de se apresentar em shows pela metade do valor que ganhava com a dupla, aos quase noventa anos de idade. Detalhe: quase 2.000 canções compostas e gravadas que serviram de base para muitas duplas sertanejas de sucesso consolidado hoje em dia que nem se dão conta do esquecimento desses baluartes da cultura nacional. Está sendo ajudado por outros artistas também em esquecimento mas que conseguiram uma melhor oportunidade da vida pós sucesso.
O que dizer desses casos? É simplesmente elucidar que o povo brasileiro esquece das obrigações de perpetuar aquilo que solidificou as estruturas culturais do seu país, esquece que para hoje termos bandas e cantores despontando em um sucesso arrebatador no cenário meteórico das artes é porque houve antes outros que trilharam um caminho de dificuldades para ter seu sucesso reconhecido e abrir os olhos dos empresários para o lucro que pode vir das artes.
O que fazer? Não é jogar fora todo estilo musical ou rechaçar este ou aquele grupo/cantor, é saber discernir do que é bom e o que não é bom, o que pode contribuir para o progresso e o que somente vai trazer atraso ou nos deixar estacionados na evolução. A sociedade tem meios e gente capacitada e apta para trabalhar na preservação do antigo e divulgação do novo conteúdo cultural de nosso país. Falta essa própria sociedade colaborar e cobrar de quem é capacitado e pago pra fazer isso. Resta apenas algumas notícias esparsas na internet e pesquisadores ou curiosos para descobrir e divulgar como andam nossos melhores artistas e contribuintes da sociedade cultural estagnada que vivemos hoje.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Crise e a Velha Europa

Muitos disseram que essa crise mundial seria a ruína dos EUA. Mas vemos que na verdade, com todos os tropeços, a economia norte americana está dando sinais de possíveis reajustes. Claro, uma economia forte não poderia de uma hora pra outra de repente parar. Mas é uma dúvida se os EUA realmente continuarão sua supremacia mundial econômica e politicamente.
Mas e o que dizer da Velha Europa? Sim, o menor continente mas um dos mais poderosos, aquele que é o berço do homem civilizado. A Europa sempre foi a razão primordial de sonhos e desejos do homem do mundo inteiro. É lá que nascem os principais cérebros pensantes, principalmente na História. No entanto este continente sofreu abalos muito fortes na área econômica abrindo caminho para sua recessão. Mas será mesmo que somente os EUA saíriam desse buraco financeiro? Oras isso seria pensar pequeno sobre a Europa. Afinal existe desde o início dos tempos e está lá até hoje. Não passa muitas vezes 15 anos sem guerra, dizimando tanto população quanto economia, nunca conseguiu sua união social e política, apesar da tentativa certa de unificar a moeda. Sempre teve diferenças de aspectos raciais e oprimiu boa parte do mundo, se enriqueceu as custas da escravidão e e da exploração dos minérios, desde os tempos romanos.
Mas isso é apenas falar da História européia. É saber o que já se sabe dos livros. Mas quando algo muito grave ocorre possibilitando o naufrágio deste continente sempre há especulações de quando deixaremos de vez o fantasma do sonho ariano. Mas tomemos um exemplo ocorrido logo após a Segunda Guerra. A Europa totalmente destruída em todos os sentidos, população passando necessidades e sem poder de abastecer e fazer girar a roda da economia. Os EUA então fortalecido pela vitória contra o eixo do mal decide ajudar os europeus a reconstruírem seus países. Em 1947 como uma continuação da doutrina Truman, nasce o Plano Marshall, ou Programa de Recuperação Européia. Por vários anos houve injeção de milhões e milhões de doláres na economia européia, onde somente os países do bloco comunista não aceitaram participar, pois Stalin via como uma ameaça ao seus sistema. Entretanto qual seria a razão para essa ajuda? Alguns historiadores dizem que seria pelo equilíbrio do sistema capitalista, pois sem todos poderem fazer girar a roda da economia de forma equilibrada, ameaçaria as economias mais fortes, como a americana. Outros dizem que alguns países europeus estariam as vias de se desestabilizarem politicamente, o que seria um risco para o capitalismo e uma oportunidade para o comunismo, o fanstama que ronda a Europa. Mas qual seria mesmo o interesse por trás da ajuda à Europa?
É lá que temos toda a História, toda base social, econômica e política mundial. É lá que temos os avanços tecnológicos mais significativos ainda hoje. É lá que as discussões sobre o futuro mundial ocorrem de forma mais livre, espontânea e objetiva. A Europa produz conhecimento, produz trabalho, produz idéias. A riqueza material, cultural, espiritual vem do continente europeu. A raça ariana naseceu lá criando o mito do homem perfeito. Tem força decisiva nas ações mundiais. Construiu muito do que hoje somos, mesmo que não seja perfeito. Não é a toa que o Plano Marshall foi dedicado a Europa. Todos precisamos da velha dama.
Creio improvável algum dia este continente desaparecer do cenário político e econômico mundial. Mesmo social. É como a galinha dos ovos de ouro principalmente dos EUA. É como um conselheiro com poder de veto ou sanção no mundo. É necessária para se governar. Enquanto a Europa tiver esse poder com todas a crises econômicas que vierem, nada fará derrubar este super continente. Passaram-se líderes, povos e culturas, mas continua fortalecendo o crescimento intelectual e econômico do globo.
Como esquecer as valiosas contribuições européia acerca dos valores para o homem? Como duvidar do poder de influência na mentalidade humana? Os filósofos, os historiadores, os cientistas. É claro que os norte americanos sabem disso, do peso influente que possui esse continente, e da ajuda que pode obter dele para continuar no poder. Para Europa não interessa mais o poder supremo, pois o continua exercendo na forma dos bastidores mundiais. Para os projetos capitalistas e objetivos políticos americanos continuaream seguiremos por muito tempo escutando e vendo que a "velha dama" mais uma vez triunfou.

idealismo ou realidade

Idealismo ou realidade? Viver sonhando com um mundo perfeito ou viver a realidade fatal e cruel? Podemos dizer sobre o comunismo, ou a tentativa de igualar os direitos e a riqueza. O controle de um na vida de cada um, sobre o que faz, o que pensa, o que almeja. Vide 1984, de George Orwell.
Tendo cada um possibilidade de ser igual, de ter o mesmo que o outro, qual motivo teria para se girar o progresso? Por que creio que a força motriz do progresso é a ambição, seja ela desmedida ou conscientizada. A partir do momento em que eu tenho tudo o que quero, o que mais posso querer? No entanto não foi o que houve na União Soviética e não é o que vemos em Cuba. Mas o cerne do comunismo é esse igualar as riquezas, e creio que também as intelectuais. Nunca fomos iguais, nunca fomos feitos pra sermos semelhantes materialmente. Cada um alacança o progresso que consegue, alguns vão mais longe, outros podem ficar pra trás, mas isso também depende do muito que você faz com o pouco ou com o pouco que você faz do muito.
Idealismo? Marx teve muito e soube investigar muito bem a nossa história econômica, creio que nenhum igual ele. No entanto quando tentamos dar um destino melhor para a humanidade esbarramos no idealismo, na tentativa inútil de forçar por leis a união dos povos e a fraternidade das pessoas. Não é com armas que se ganha uma revolução, são contínuas tentativas diárias de diálogos, coisa que nunca houve no comunismo.
Realidade? Sim o mundo tá ai pra quem quiser ver, está se desmoronando e se reconstruindo a cada dia que passa. Basta apenas a cada um a consciência da construção de um espaço baseado no diálogo. Não é ser fatalista, dizer que não há mais nada para se construir, que 2012 logo chegará trazendo o fim, mas tentar entender o que passamos, ver onde há erros e acertos, investigar, analisar e propor então através de diálogos a oportunidade de um avanço melhor.
Nem o idealista nem o fatalista tem chance no mundo, na vida. O mediador poderá ser a salvação.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2012

Outro dia fui ao cinema assistir 2012.Observei que se trata de mais um filme castástrofe onde se usam efeitos especiais e peripécias mil para deixar estagnada a face dos espectadores. Sobre a previsão maia, o siginificado, os fatores históricos, nada se comenta ou muito pouco. Um personagem ou outro tentando dizer algo investigado muito superficialmente sobre a história dessa civilização. Lembro-me de Apocalypto, onde me chamou atenção pela possível história que iria se passar dos Maias, mas pouco realmente fidedigno que se mostrou sobre esse povo.
No entanto nas últimas semanas vendo os telejornais falarem sobre a Conferência do Clima em Copenhagen fiz algumas análises sobre se realmente o planeta Terra terá um fim como previsto pelos Maias e como outras tantas vezes (ver Idade Média ano Mil). Nosso planeta já passou por várias modificações ao longo dos milênios. Lembremo-nos do próprio homem, pouco após ter começado sua caminhada no planeta e enfrentando o período glacial no tempo dos mamutes. Lembremo-nos também dos dinossauros que sofreram uma radical mudança no seu modo de vida e habitat desaparecendo para que este mesmo homem surgisse.
Ou seja, nosso planeta passa por transformações sim, isso é comprovado cientificamente. No entanto o que se discute é o quanto o homem influi nessa transformação. É óbvio que desde a Revolução Industrial no século XIX houve um aumento acentuado de indústrias jogando no ar partículas pesadas danosas ao meio ambiente. Contudo, além da especulação de quanto é o grau de responsabilidade do homem na poluição do planeta, principalmente acentuada no anos cinquenta, pós Segunda Guerra com os baby boomer, eu observo que há um fator mais grave na destruição do planeta, que não é somente perceptível no meio ambiente: a consequente perda do nosso patrimônio histórico.
Sim, o nosso patrimônio histórico está ameaçado por essa transformação brutal que sofrerá nosso planeta, pois sabemos que a História está baseada principalmente em documentação, seja de que suporte for, e que para preservá-la há orientações técnicas rígidas e observação constante da sua salvaguarda. Pois como havia comentado em outro post anteriormente, milhares de manuscritos já foram dizimados pelo tempo, pelas guerras, pela violência, pelo preconceito e pela não observação de cuidados especiais para sua conservação. As linhas Nazca por exemplo tendem a sumir. São preservadas porque são feitas de pedra em um ambiente quente e seco que nunca ou quase nunca chove. Mas com fatores climáticos cada vez mais severos como El Niño como poderíamos preservar esse Patrimônio da Humanidade? Com constantes alagamentos de cidades, os sítios arqueológicos se degradariam exterminando qualquer vestígio de nossos antepassados. A Cidade do México por exemplo que tem sua fundação em cima de um lago e que a cada ano afunda mais devido a poluição e a ao crescimento desordenado de casas e prédios, como se comportaria ante frios intensos e calor exacerbado?
Os casarões históricos na Europa se ruiriam com constantes terremotos que assolam Itália e Grécia. Veneza, com o crescente aumento do nível do mar sumiria do mapa, como algumas ilhas do Pacífico já estão desaparecendo. As pirâmides do Egito, tumbas de reis africanos, Stonehenge, sítios arqueológicos na América Central, tudo isso desapareceria, como vemos nas cenas do filme 2012. Contudo não seria a Terra a maior responsável pelo aniquilamento de vestígios de nossa História no planeta e sim o homem que além de contribuir para a aceleração dessa transformação não se preocupa em conservar para milhares de séculos ainda nossa especial patrimônio, nossa História, nossa vida aqui na Terra. Porque haverá sim transformação, é inevitável, mas há meios de salvaguardar nossos documentos mais preciosos, como de certa forma mostrou o filme em alguns momentos.
Após nosso planeta Terra mudar e começar tudo outra vez(não sei como começaremos, nem como seremos) de onde partiremos? Não teríamos uma base histórica sólida para pensar no futuro, não teríamos onde nos apoiar intelectualmente e documentalmente para prosseguir. Talvez seja realmente esse nosso futuro, começar a contar do ano zero novamente. E quem sabe com o constante desleixo do homem para com seu patrimônio, tudo isso realmente se resolva e mude daqui 3 anos. Esperemos até dezembro de 2012.

domingo, 19 de julho de 2009

40(0) anos da viagem à Lua

O título desta postagem é ambíguo. E de propósito. Pois o homem já viajou diversas vezes à Lua. Não, não estou louco nem sonhando. Não significa que para irmos à nossa vizinha precisamos de um foguete. Galileu Galilei foi às estrelas usando um telescópio. Podemos ir nas palavras, nos sonhos, na imaginação. Julio Verne foi o mais famoso "astronauta" da Lua. E infelizmente poucos lembram do seu feito heróico. Outros astrônomos também viajaram à Lua, pois a observaram, a trouxeram perto de nós, para nossa realidade.
Mas isso é apenas enredo, apenas introdução. Pergunto qual a vantagem de três homens terem ido a Lua. Sim pois foram uma vez ou duas, e depois nunca mais. Taxaram-na como uma pedra cheia de pedras e sem vida. Ora isso já sabiam muito antes de pensarem em uma viagem para fora do planeta. Telescópios potentes foram criados desde o início do século XX. Sabíamos já que o Sol é uma bola fogo, que Marte é um planeta vermelho sem sinais de vida e que Vênus é um planeta brilhoso, mas quente. Então para que ir à Lua?
Ora vivíamos em plena Guerra Fria. A URSS lançava um homem, Yuri Gagárin para órbita da Terra pela primeira vez. Estavam adiantados aos EUA. Este por sua vez precisava vencer uma corrida, uma corrida tecnológica e de poder. Sim porque quem chegasse primeiro seria o vencedor e poderia dominar o outro, pelo menos nesse aspecto. Então no início dos anos sessenta Kennedy decidiu lançar o homem para o espaço. Um projeto que ele imaginou e não viu, mas que custaria muito aos cofres americanos. E para depois não encontrarem nada, nem trazer nada de siginificativo cientificamente da Lua.
Mas claro! Lembremos das Grandes Navegações onde Portugal e Espanha brigavam pela posse do mar e das terras descobertas além deste. Não se importavam muito com o objetivo, mas sim com o objeto: vencer a corrida e como prêmio trazer a maior quantidade de ouro e prata e autóctones mortos nas embarcações. A Lua não possuía ouro, mas possuía a possibilidade de dar poder a quem a ela chegasse. Não tinha autóctones ou gente morando lá, mas tinhas pedras, que foram descartadas e desdenhadas, como os habitantes das Américas. Sim fomos e voltamos apenas com a certeza de que um país venceu, venceu no seu egoísmo , para si mesmo, para alimentar seu próprio ego. Outros nem de perto participaram e continuaram com seus problemas, suas crises. E o dinheiro que foi gasto nas missões e nas tentativas anteriores bem podia ser canalizado para ajuda internacional da fome, das doenças, do desemprego.
Então se não há nada na Lua para que comemorar? Festa infrutífera, pois houve uma oportunidade não aproveitada e hoje se perguntam ainda sobre os mistérios que não resolvem há quarenta anos. Precisam de outra viagem para se gastar mais em um momento de crise pra então saberem: existe vida? Existe formas de vida? Existem mais enigmas? Existe Deus? Outras missões desbravam o espaço como os primeiros descobridores e conquistadores da Era Moderna. Mas para descobrir talvez pedras, gases nocivos, e fenômenos cósmicos que nunca saberemos explicar. Ora não é questão de abortar a idéia de se descobrir o espaço, mas sim de por um objetivo final nessa idéia científica que em poderia ser melhorada. Os russos não iriam mesmo a Lua, bastavam orbitar em torno desta ou apenas um robô para descobrirem o que poderia haver lá. Foram mais sábios, mas também perderam o poder.
A Lua está lá brilhando nas nossas noites. Sempre bonita e formosa. Não considero esta nossa irmã como um monte de pedra. Apenas é um objeto no espaço com seu valor, sua função, seu mérito, e seus enigmas, como a própria Terra. Mas para querer um objeto temos de posicionar um objetivo, algo que falta aos nossos cientistas. O que fazer na Lua? Essa é a grande questão. Talvez nem vivamos para ver a descoberta dos seus segredos, mas saberemos que um dia o homem foi lá e de lá nada trouxe, apenas a imagem mal formulada de um lugar desértico e sem vida. A Lua ficou esquecida, mas tem sua beleza justamente em seus mistérios e enigmas, como o espaço sideral. Mas ela talvez não se importe muito porque está sempre de olho pra nós, nos iluminando cada noite, lua após lua...

Onde está o mérito do conhecimento adquirido?

Estudamos para adquirir conhecimento. É um fato. Esse conhecimento será tranformado em intelecto e direcionado para o crescimento próprio e da coletividade ao redor, em forma de trabalho. Mas e quando esse estudo, esse conhecimento não é respeitado, não é avaliado da melhor forma?
É o caso do concurso público. Esse instrumento de exclusão da maioria que tenta o sonho de um emprego estável e rentável (de um certo ponto de vista). Até alguns anos atrás não existia uma "prova" para avaliar se você estudou ou sabia alguma coisa sobre o trabalho que irá fazer. Era como em uma loja comercial, você se inscrevia, entregava seu curriculum vitae e dependendo da observação e análise de seu mérito você era convocado. É claro que isso era regra geral, tendo em vista as particularidades, como a política para acesso ao emprego e a necessidade corrente, ou a demanda excessiva que uma instituição poderia estar passando. Mas antes de mais nada, naquele tempo quem tinha estudado, quem tinha conseguido entrar em uma faculdade e às vezes um curso de pós graduação, era bem visto aos olhos do empregador.
Hoje precisamos pagar pra conseguir um emprego. São as taxas de inscrições do concurso. Posteriormente precisamos comprar um livro ou pagar um cursinho pré-concurso para melhorar nossas chances (veja que mais uma vez gastamos sem estarmos empregados). E depois recebemos a notícia que a prova será em um local de difícil acesso, onde teremos de usar dois ou mais onibus para chegar. Tudo isso para supostamente entrarmos no caminho da felicidade. Onde encontraremos pessoas pregadas em seus cargos há mais de vinte anos, verdadeiros dinossauros que serão os nossos patrões muitas vezes. Enfrentarmos o mau humor diário de uma repartição pública. Vermos as mais escabrosas malandragens, pequenas sim, mas malandragens do sistema público do Brasil, exercida por seus tão valorosos empregados que foram aprovados com louvor em um concurso e imaginado como gente de muita ética. E aquele salário que antes parecia tão tentador hoje, 5 anos ou mais depois, já não paga as tão merecidas férias da família.
Será que estudamos, que buscamos conhecimento para sermos avaliados em uma prova? Excluem-nos porque somos muitos e não podemos ter chances de trabalho? Sim essa é a dinâmica do concurso público no Brasil, onde vale tudo para excluir a "massa". Onde está o mérito de você possuir um currículo enriquecido? Sim enriquecido de conhecimento, muitas vezes pertinentes a área em que você pretende trabalhar, em que você tem aptidão e um objetivo fixo. Nem sempre entra em um instituição aquele que é o mais intelectual ou o mais apto no conhecimento, e sim aquele que decorou todas as exigências do conteúdo programático ou que usou a mãe para acertar uma das múltiplas alternativas da pergunta. Vemos muito servidores que entram lá e nem sabem redigir um ofício, uma ata. Será que o governo pensa bem em quem está colocando como seu empregado, em quem deveria ajudar o sistema, em quem deveria progredir o país?
O concurso público está aí e todas as vezes que um edital é aberto milhares de pessoas tentam a tão sonhada vaga e sorte em uma insituição brasileira. Mas o inchaço da máquina pública é iminente e mesmo o concurso um dia será uma forma atrasada de avaliação das "pseudo" capacidades do indivíduo. Então uma nova forma de prova será pensada, pensada para excluir. Excluir quem detém o conhecimento, o saber, o estudo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

a cultura destruida

Arqueólogos descobriram há poucos meses artefatos que datam de séculos atrás no Iraque. Principalmente quando a região era parte da Babilônia e mesmo anteriormente. Tudo isso vai ser exposto em um museu no Iraque, mais provável em Bagdá. Mas como haverá um museu ou algum tipo de local aberto à descoberta da História sendo localizado em uma região tão frágil e tão vulnerável como é o Iraque dos dias atuais?
É sabido que sempre que duas culturas ou civilizações se chocam, se descobrem, há uma guerra, em todos os sentidos da palavra. Mas todos sabemos quais as perspectivas, enredos e desfechos de uma guerra. Quero falar dos perdedores. Mas não dos perdedores homens e sim do que o homem produz, sua cultura, seus objetos, sua História. Sim porque desde o primeiro homem que constituiu uma pequena aldeia na Terra produzimos cultura, produzimos um legado à posteridade. São esses legados que se tornam os documentos preciosos nas mãos de pesquisadores de nosso passado.
Tomemos o exemplo da conquista do México engendrada por Cortez e seus soldados espanhóis. Logo após a derrota de Cuauahtemoc, último rei asteca, começa a destruição sistemática de toda cultura mesoamericana. Aliás isso já vinha sido trabalhado por Cortez durante sua rota rumo à Tenochtitlán. Destruiram templos e palácios astecas que tanto chamaram atenção dos espanhóis quando estes chegaram, destruíram objetos de arte considerados pagãos por uma cultura religiosa intolerante, e destruíram todas as informações escritas que os astecas podiam ter. Somente os objetos mais ricos e enfeitados que poderiam servir ao interesse ganancioso dos espanhóis e de Carlos V restaram, e assim mesmo, muitos foram derretidos, como o ouro, ou transformados de acordo com a visão européia.
Um caso interessante são das construções da América. Os templos religiosos dos autóctones foram considerados de idolatria, heréticos, e por isso destruídos. Mas essa destruição teve duas vertentes: a destruição por demolição, aniquilando completamente qualquer vestígio de arquitetura mesoamericana ou então por desconfiguração da ideia original, ou seja, reconstrução em cima das bases do templo asteca de uma catedral ou palácio de algum Governador ou Vice-Rei de Espanha. São muitos os exemplos na Cidade do México, onde arqueólogos ainda hoje encontram vestígios de cultura e construções, e também em Cuzco, a capital do Império Inca.
Os livros e os escritos dos astecas e maias todos queimados em fogueiras pelo padres católicos intolerantes com a religião pagã exercida aqui. Tudo apagado em nome de uma fé que representa a superioridade do cristianismo perante qualquer outra religião. Mas será que é isso que Deus queria, apagar vestígios do que ele mesmo criou, ou seja, do produto de seu produto? As guerras posteriores, a conquista, também ajudam a massacrar o pouco que resta de História na América.
Parece que toda conquista objetiva uma destruição sistemática da produção cultural de uma civilização. Mesmo o Iraque também foi destruído quando da invasão ianque para derrubar Saddam Hussein, e quem o invadiu não se preocupou em destruir séculos e dois milênios de história, pois na guerra e em seus objetivos, vale tudo, nada pode deter. Nem mesmo o legado que o homem nos deixa. Então como preservar estas peças que ainda restam lá? Parece que ainda restam pessoas interessadas em pesquisar e mostrar ao mundo que o Iraque e sua região não é só homem bomba ou fanatismo religioso ou, ainda talvez, ditadura extremista. Há uma cultura a descobrir e precisa ser preservada. Não sabemos de onde viemos e para onde vamos, mas precisamos saber o que fizemos nesse curto espaço de tempo que povoamos esta Terra antes de talvez nos auto destruirmos. Destruirmos com as guerras que enterram nosso passado legado e que nos deixa a mercê de uma hecatombe final.